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Ministério da Cultura Transparência Pública
Fundo da Tarja

 
   
 

Etnodoc 2009

Os projetos selecionados no Edital de apoio à produção de documentários etnográficos sobre patrimônio cultural imaterial (Etnodoc 2009) entram em fase de produção, cumprida a exigência de apresentação da documentação para a assinatura dos respectivos termos de compromisso.

Os documentários destinam-se à  exibição em redes públicas de TV, em  festivais e mostras e serão produzidos ao longo de 2010.

Foram selecionados  16 projetos entre  os 706 inscritos, número que superou todas as expectativas, significando um aumento de mais de 50% em relação à primeira edição, em 2007.

O Etnodoc tem o patrocínio da Petrobras, num total de R$ 1.200.000,00, e busca somar esforços e ampliar as ações voltadas para a valorização e promoção dessa dimensão do patrimônio cultural, assim como estimular iniciativas voltadas para a melhoria das condições de transmissão, produção e reprodução dos bens culturais que compõem esse universo. A gestão do Edital é da Associação Cultural de Amigos do Museu de Folclore Edison Carneiro
 

Sinopses dos projetos Selecionados

Eu tenho a palavra
Autoria e direção: Lilian Solá Santiago, São Paulo
Uma viagem linguística em busca das origens africanas da cultura brasileira. O antigo reino do Congo foi a origem da maioria dos africanos escravizados no Brasil, que, no cativeiro, criaram diversos dialetos para que pudessem se comunicar livremente, dentre os quais a “língua do negro da Costa” ainda é preservada na comunidade remanescente de quilombo de Tabatinga (Bom Despacho, MG).

Vento Leste
Autoria e direção: Joel de Almeida, Bahia
Trata-se de um documentário poético que irá mostrar a viagem de dois dos últimos saveiros comerciais da Baía de Todos os Santos: o E da vida, que sai da tradicional localidade de Maragogipinho carregado de cerâmicas, e o Sombra da lua, que sai de Maragogipe carregado de frutas, verduras e carnes defumadas, ambos com destino a Salvador.

Quindim de Pessach
Autoria: Viviane Lessa Peres, São Paulo
Direção: Juliana Crelier e Olindo Estevam
O documentário á mostrar o encontro entre a cultura judaica e a brasileira por intermédio da culinária, retratando o modo como esse saber foi transmitido pelas matriarcas judias para suas brasileiríssimas cozinheiras, que aprenderam com elas não apenas as receitas desses pratos carregados de tradição, mas também todos os costumes – simbólicos, festivos e religiosos – relacionados à comida.

A arte e a rua
Autoria: Carolina Caffé, São Paulo
Direção: Carolina Caffé e Rose Satiko Gitirana Hikiji
Street dance, grafite, rape gospel. O filme mostra como a experiência periférica urbana tem lugar central na produção dos artistas de Cidade Tiradentes que cresceram junto com o distrito paulista e em suas obras dialogam com seus desafios e sonhos.

Kusiwarã Jarãkõ – os donos dos grafismos, arte e saberes Wajãpi
Autoria: Dominique Tilkin Gallo, São Paulo
Direção: Gianni Maria Puzzo
O projeto pretende abordar a arte gráfica kusiwae os saberes que lhe são associados, entre os Wajãpi que vivem na região do rio Amapari, no Amapá. Os grafismos utilizados na pintura corporal e na decoração de objetos expressam formas específicas de conceber as relações entre humanos, animais e vegetais, além de evidenciar modos diferenciados de estabelecer a autoria e a propriedade dos padrões e composições gráficas.

O último rastro
Autoria e direção: Marcus Antonio Moura Tavares, Ceará
No sertão do Inhamuns, Estado do Ceará, vive há 96 anos Zé Valadão. Ele é um dos últimos representantes de uma estirpe sertaneja em extinção: os rastejadores. Uma rês perdida do rebanho, um ladrão de cavalos, um assassino que a polícia não encontrou, uma criança perdida na caatinga, nada escaparia da sabedoria e das artimanhas dos Valadões.


João da Mata falado
Autoria: Ana Stela Cunha, Maranhão
Direção: Vicente Alves Pinto
O documentário retratará as relações de João da Mata, mais conhecido como o “caboclo da Bandeira”, encantado na pedra de Itacolomi, e seus familiares, guerreiros, caçadores e pescadores, que vêm à terra para bailar e brincar e, em alguns casos, praticar curas. “Encantados” são entidades do universo religioso do tambor de Mina/Pajé, praticados mais intensamente no Maranhão e atualmente no Pará, Amazonas, e outros estados, por conta das migrações.

Dona Joventina

Autoria: Clarice Kubrusly, Rio de Janeiro
Direção: Clarisse Kubrusly e Milena Sá
O documentário apresentará as polêmicas “biografias” de dona Joventina, boneca do maracatu Estrela Brilhante. A escultura de madeira escura ficou durante 30 anos (1965-1996) sob a posse da pesquisadora Katarina Real, antes de ser doada ao acervo do Museu do Homem do Nordeste.

Baile do Carmo
Autoria: Daniel Eiji Hanai, São Paulo
Direção: Shaynna Pidori
O documentário vai retratar um peculiar baile de gala que há 121 anos vem sendo organizado e realizado pela comunidade negra de Araraquara, cidade do interior de São Paulo. Esse baile é um evento que há 80 anos acontece ininterruptamente no mês de julho, sempre obedecendo a tradição de ter animação musical com música orquestrada ao vivo e uso obrigatório de traje social completo.

As escravas da Mãe de Deus

Autoria: Decleoma Lobato Pereira, Amapá
Direção: Áurea Pinheiro e Cássia Moura
A folia popular “Escravas da Mãe de Deus da Piedade”, celebração em louvor a Nossa Senhora da Piedade que ocorre na região de Igarapé do Lago, distrito do Município de Mazagão, no Amapá, é o fio condutor do filme. A partir dos recursos da etnografia e da música, busca-se uma composição entre palavras, gestos e sons, proporcionada pela observação dos fiéis, seus cantos, silêncios, rostos, movimentos de mãos, olhares, que revelam circunstâncias ritualísticas que comunicam uma paisagem visual e sonora, sem perder de vista a verossimilhança com o ritual e suas características originais.

Kaiowa: Nhe’e Ojapova – a palavra que age
Autoria: Spensy Kmitta Pimentel, Mato Grosso do Sul
Direção: Edgar Teodoro da Cunha
Os cantos (porahei) e rezas (nhembo’e) dos Guarani-Kaiowa, de Mato Grosso do Sul, são fórmulas verbais que têm uma ação sobre o mundo. Tradicionalmente, eles curam doenças, afastam pragas da lavoura e bichos peçonhentos, anunciam a chegada dos deuses (os Nhanderykey, nossos irmãos maiores), levam mensagens aos seres sobrenaturais que são “donos” ( Jara) das coisas.

Hoje tem alegria
Autoria e direção: Fabio Meira, São Paulo
O documentário acompanha o cotidiano de três circos no Norte e Nordeste do Brasil, tomando como eixo três personagens míticos da tradição circense brasileira: os pernambucanos Índia Morena e o mágico Alakasan, e o amapaense Ruy Raiol. Juntos, representam a tradição do circo de pequeno porte no Brasil. Longe dos grandes centros, esses seres errantes e apaixonados por sua arte lutam para manter firme a tradição do maior espetáculo da terra. Eles revelam, a partir de suas memórias, a importância de se manter viva a troca de saberes, vendo a tradição se perpetuar ao ser transmitida de geração a geração.

Soldados da borracha
Autoria e Direção: Cesar Garcia Lima, Rio de Janeiro
Desde o fim da Segunda Guerra Mundial os soldados da borracha lutam para ser reconhecidos em pé de igualdade com os condecorados pracinhas. Convocados a ajudar os Aliados com a extração de borracha na Amazônia, esses nordestinos ficaram esquecidos na floresta por décadas. A maior parte foi para o Acre e lá ficou. É nesse cenário da luta ecológica de Chico Mendes que os sobreviventes dessa saga contam como a promessa de riqueza deu lugar à solidão e ao desamparo. Em meio a imagens da região nos anos 1940, nas cidades de Xapuri, Rio Branco e Plácido de Castro, eles mantêm a memória acesa e não sucumbem à infelicidade, mesmo que o outono de suas vidas tenha chegado.

Palavras sem fronteira – tradições orais nos limites do Brasil
Autoria: Luciana Hartmann, Distrito Federal
A proposta do documentário é criar uma narrativa audiovisual que contemple a dinâmica das tradições orais que circulam pela tríplice fronteira localizada entre Brasil, Uruguai e Argentina, uma narrativa que dê conta de apreender as nuances e a riqueza desse patrimônio cultural imaterial, com enfoque especial para os sujeitos-contadores, seu tom de voz, sua gestualidade, seu posicionamento no espaço, sua relação com os ouvintes, enfim, sua performance narrativa como um todo. Por outro lado, pretende-se realizar um encontro entre diferentes contadores da região, promovendo uma “roda de causos” multicultural que possibilite revelar parte da dinâmica que caracteriza o viver “na fronteira”, refletido e constantemente recriado nas narrativas orais locais.

Curandeiros do Jarê
Autoria: Camilla Dutervil, Fernanda Sidliger, Marcelo Abreu Góis e Uiara Meneses.
Direção: Marcelo Abreu Góis
No documentário, um filho de santo nos revela o universo mítico da cura e o período de crise e loucura que os curadores enfrentam ao receber o chamado para aceitar sua missão. As casas de Jarê da Chapada Diamantina nos levam ao encontro com os rituais de cura tradicionais, saberes da medicina ancestral e os mitos criados em torno do encantamento do diamante.

Arte e manhas de Exu
Autoria e Direção: Eliane Coster, Rio de Janeiro
O projeto propõe uma incursão poética no universo simbólico e cultural de Exu, orixá/deus da religião afro-brasileira candomblé intimamente relacionado à sexualidade, à comunicação e ao comércio. Exu é um orixá polêmico no interior da cultura popular brasileira e da história do Brasil, pois tem sido apropriado por outras religiões, muitas vezes de forma negativa. O documentário pretende apresentar um conjunto de elementos audiovisuais que permitam ao espectador compreender e sentir a riqueza de representações e agências que esse orixá produz e opera na cultura popular de modo geral e no cotidiano dos adeptos do candomblé em particular; pretende também problematizar as apropriações de Exu feitas por outras religiões
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Atenção

 Veja o site do Etnodoc com mais informações  www.etnodoc.org.br.

 








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